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ANORA

Por: Diandra Rocha

Anora / 2024 / EUA
Direção:
Sean Baker.
Elenco:
Mikey Madison, Paul Weissman, Yura Borisov, Lindsey Normington.
Duração:
139 min.


Sinopse: Anora, uma jovem profissional do sexo no bairro do Brooklyn, conquista sua grande chance de mudar de vida, como a protagonista de uma história de Cinderela, ao conhecer e se casar impulsivamente com o filho de um oligarca, Ivan. Assim que a notícia chega à Rússia, seu conto de fadas é ameaçado – os pais de Ivan partem para Nova York decididos a anular o casamento.


Love bombing e vulnerabilidade: a complexidade de Anora


 


Com a mesma sensibilidade que marcou Tangerine (2015) e O Projeto Flórida (2017), Sean Baker nos apresenta Anora (2024), vencedor da Palma de Ouro em Cannes. O filme nos mostra um recorte da história da stripper uzbeque-americana Ani (Mikey Madison), que vive um romance explosivo com o milionário Ivan (Mark Eydelshteyn), revelando as nuances de um relacionamento marcado por desigualdades sociais e manipulação emocional. A estreia no Brasil, marcada para o dia 23 de janeiro de 2025, promete emocionar e nos fazer refletir sobre love bombing, trabalho sexual, poder e os afetos na contemporaneidade.  


 


As cores vibrantes da boate de strip-tease nos apresentam a uma realidade descontraída, e nesse ponto, as cenas flertam com um certo didatismo, mas não fica chato e desgastante. São diálogos necessários para entendermos o contexto social ao qual Ani está inserida e também serve como uma crítica ao capitalismo tardio vivenciado por uma classe social, frequentemente invisibilizada.


A escolha de personagens marginalizados é uma constante na obra de Sean Baker, no entanto, em "Anora", a perspectiva masculina se torna particularmente evidente na representação de Ani. O olhar da câmera, frequentemente focado em seu corpo e em seus gestos, a objetifica, transformando-a em um objeto de desejo para Ivan e para o espectador. E, aos poucos, Ani, transforma-se na Cinderela particular do rapaz. Assim, somos levados aos caminhos românticos da relação desses dois jovens.



Ainda assim, a crença na inocência juvenil dos protagonistas é posta à prova, revelando a complexidade das relações humanas. A narrativa evoca o clichê da história de amor improvável como em Uma Linda Mulher, mas rapidamente subverte a expectativa.


Já ouvi comentários sobre a duração das cenas entre Ani e Ivan. De fato, elas são extensas, mas é justamente nesse tempo que Ivan demonstra suas habilidades na arte do love bombing. Ivan bombardeia Ani com demonstrações de afeto. Insere ela em seus círculos sociais, a presenteia, viaja com ela, pede que ela seja sua namorada e se casa com ela em Vegas. A partir disso, Ani se abre e se entrega ao romance sem pensar muito sobre os motivos ou consequências do que está acontecendo.


 


A jornada de Ani e Ivan é marcada por escolhas questionáveis e por uma aparente passividade e ingenuidade de Ani diante dos acontecimentos. A repetição de cenas de sexo e rotinas ao lado de Ivan, somadas a submissão a desejos e prazeres alheios, geram uma sensação de ângustia em quem acompanha a história. E ao final, longe do conto de fadas, o filme revela a dura realidade que se esconde por trás da fachada glamurosa do casal.



A chegada dos pais de Ivan e seus capangas marca o fim da fantasia e o início de um drama intenso. E é na fuga e perseguição de Ivan que o filme alcança seu ponto alto. Aqui, o filme revela-se como uma tragicomédia envolvente. A sensação de deriva que permeia todos os personagens, submetidos a forças externas ou a destinos incertos, é intensificada. A vulnerabilidade, antes disfarçada pelas aparências, se torna evidente. Anora nos convida a uma profunda reflexão sobre a complexidade das relações humanas, onde amor e manipulação se entrelaçam com o desamparo e a vulnerabilidade.


Resenhas
https://www.cinehorror.com.br/resenhas/anora?id=1344
| 383 | 21/01/2025
Anora nos convida a uma profunda reflexão sobre a complexidade das relações humanas, onde amor e manipulação se entrelaçam com o desamparo e a vulnerabilidade.
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