AQUELE QUE HABITA EM MIM (The Inhabitant) | EUA | 2022
Direção: Jerren Lauder
Roteiro: Kevin Bachar
Elenco: Odessa A'zion, Leslie Bibb, Dermot Mulroney, Lizze Broadway, Michael Cooper Jr., Mary Buss
Duração: 98 minutos
Sinopse: Uma adolescente descobre ser descendente de uma assassina lendária e começa a duvidar de sua sanidade quando pessoas começam a morrer ao seu redor.
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Lançado em 2022, The Inhabitant (Aquele Que Habita Em Mim), dirigido por Jerren Lauder, é um thriller psicológico protagonizado por Tara (Odessa A'zion), uma adolescente de 16 anos atormentada por visões de sua ancestral Lizzie Borden. Influenciada por esses sonhos macabros, Tara começa a desenvolver comportamentos perturbadores.
Esta foi minha primeira experiência com o cinema de Jerren Lauder, e embora o ritmo acelerado da narrativa e a entrega precoce de alguns elementos possam ter impactado negativamente a construção de suspense, o filme apresenta uma estética visual intrigante que prende a atenção do espectador. A ausência de uma pretensão artística nos cortes, por vezes, revela uma espontaneidade que contribui para a atmosfera peculiar da obra.
Alguns questionamentos sobre Ben (Dermot Mulroney), pai de Tara e Emily (Leslie Bibb) sua mãe, são trazidos à tona; Ben parece um pouco distante, como se escondesse algo, enquanto Emily age com tamanha tranquilidade diante da crise da sua filha que chega a parecer suspeito. A utilização de clichês do gênero, como a transformação de todos os personagens em possíveis assassinos, é um recurso que, por vezes, pode parecer óbvio, mas que, nesse caso, serve para intensificar a tensão e manter o espectador em alerta.
A revelação sobre a tia de Tara traz uma nova camada de complexidade à narrativa, estabelecendo uma conexão mais profunda com a história de Lizzie Borden. No entanto, a forma como essa conexão é explorada ao longo do filme pode parecer um tanto irregular, alternando momentos de grande interesse com outros de menor impacto. Essa oscilação entre o suspense e a confusão contribui para uma experiência cinematográfica intrigante, que desafia o espectador a desvendar os mistérios da trama.
A trilha sonora desempenha um papel fundamental na construção da atmosfera sombria e tensa do filme. Suas melodias dramáticas, tensas e dissonantes intensificam os momentos de angústia e incerteza da trama. Destacaria a atuação de Leslie Bibb, que entrega uma performance comovente e autêntica como a mãe de Tara. No entanto, algumas mortes são apresentadas de forma tão óbvia que quebram a tensão e, em alguns momentos, geram um efeito cômico involuntário. A despretensão dos realizadores é admirável. Desse modo, o filme consegue apresentar temas complexos como a hereditariedade, a loucura e a culpa, resultando em uma narrativa irregular, com momentos de grande intensidade contrastando com outros de menor impacto.
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