CARCAÇA | Brasil | 2024
Direção e roteiro: André Borelli
Elenco: Paulo Miklos e Carol Bresolin
Duração: 70 minutos
Sinopse: A trama acompanha Lívia, que tenta escapar de um relacionamento tóxico com um homem 35 anos mais velho, Davi, durante uma pandemia. O isolamento revela segredos obscuros e transforma a vida do casal em um intenso drama.
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A análise do filme Carcaça, dirigida por André Borelli, surge no contexto da crescente valorização do cinema brasileiro, especialmente após o reconhecimento de Ainda Estou Aqui como Melhor Filme Internacional no Oscar. Esse marco propõe uma reflexão mais rigorosa sobre produções nacionais, afastando-se de uma visão indulgente que, por vezes, minimiza falhas e limitações sob a justificativa de se tratar de obras brasileiras. Assim, a análise aqui apresentada avalia a obra com o mesmo rigor aplicado a produções outras, destacando os méritos e os desafios apresentados.
Carcaça se posiciona como um thriller psicológico que explora a vida de um casal em isolamento durante uma pandemia. As atuações de Paulo Miklos e Carol Bresolin, nos papéis de Davi e Lívia, respectivamente, demonstram comprometimento com a profundidade emocional dos personagens e suas dinâmicas complexas. Contudo, embora os intérpretes busquem oferecer um trabalho sólido, o filme enfrenta desafios significativos na construção narrativa e na entrega de seu objetivo enquanto thriller.
A progressão da história revela-se marcada por repetição e previsibilidade, dificultando o envolvimento pleno do espectador. A narrativa apresenta um ritmo prolixo e redundante, sem avanços concretos ou momentos de impacto que sustentem o interesse ao longo do tempo. A tentativa de abordar as nuances de um relacionamento tóxico perde intensidade devido à falta de objetividade no desenvolvimento das cenas.
Um dos pontos críticos do gênero thriller é a construção de tensão e atmosfera, algo que Carcaça não consegue alcançar de maneira consistente. A ausência de um sentimento constante de iminente perigo ou suspense enfraquece a experiência e torna difícil que o público seja emocionalmente capturado. Consequentemente, o impacto esperado de um filme desse tipo não se concretiza.
Ademais, aspectos técnicos, como cortes abruptos na edição, interferem negativamente na fluidez da narrativa. Essas escolhas comprometem a coerência do roteiro e intensificam a sensação de desorganização estrutural, dando a impressão de que o caos apresentado não se trata de uma escolha criativa intencional, mas sim de uma execução falha.
De forma geral, apesar do esforço evidente dos atores para transmitir emoções autênticas e conferir vida aos personagens, Carcaça sofre com problemas narrativos e estruturais que dificultam sua eficácia como um thriller psicológico. A falta de clareza, objetividade e tensão emocional acaba transformando a obra em uma experiência menos marcante do que poderia ser.
Carcaça está disponível a partir de 3 de março nas plataformas de aluguel: Total Play, Apple, Net Now, Youtube, Vivo, Amazon, Claro Video, Google Play.
E se as cidades inteligentes se tornassem um centro de vigilância e controle permanentes? O filme aborda essas e outras questões da sociedade contemporânea que nós temos.